Tecktonik e rien à foutre!

Julho 22, 2008

Alguém me mandou um comentário questionando a exatidão das informações contidas num post meu sobre tecktonik. Sou totalmente leigo no assunto, sendo o conteúdo do post o resultado de conversas que tive com praticantes belgas.

Eu só gostaria de dizer que meu blog não é nem um tipo de enciclopédia e nem site especializado, se trata apenas de um registro do que acontece ao meu redor. Além do mais, eu acho a tal da Tecktonik ridículamente horrorosa, assim como os barakis que normalmente a praticam!

Então o sr. Tecktonik killer que veio dar pitaco, peço que me escreva um post mais preciso para que eu possa retificar-me dos meus erros.

Amém.


Paris, ça sera toujours Paris

Maio 8, 2008

Depois de muita enrolação, finalmente mexi minha bunda e escrevi o post sobre minha viagem à Cidade Luz! Paris é uma das principais destinações turísticas da Europa e, claro, do Mundo. A cidade, que data do Império Romano, foi nomeada graças à tribo gaulesa que la vivia, os Parisii. Foi Clóvis I, rei dos Francos, em 508 que fez da cidade capital do seu reino, abrindo a história de guerras, revoluções e beleza da cidade da mais bela arquitetura do mundo e dos museus, sendo a própria vila podendo ser considerada um museu vivo da história ocidental. Paris foi modificada por vários governantes, em destaque Napoleão Bonaparte, que deu a cara atual à mais bela das métropoles.

Para começar a contar das minhas impressoões, não sei quem disse que os parisienses são mal-educados, mas é mentira! Todos com quem conversei foram muito bem humorados, mesmo percebendo de cara o meu sotaque belga. Eu estava na rua do Rivoli escrevendo cartões postais encima da caixa de correio e um policial me abordou com uma cara séria: “Você está danificando a propriedade pública?!”. Eu me explico rapidamente mostrando o cartão postal e o policial começa a rir e me diz “Eu estava brincando! Você viu a sua cara de medo? Estava até pálido!” e conversa comigo sobre a minha estadia na cidade.

Vista da Tour Eiffel da praça do Trocadero

Uma visita em Paris deve começar pela chegada no metrô do Trocadero e se dar de cara com essa bela vista, o melhor dos ângulos da Torre Eiffel, obelisco que representa os avanços do conhecimento humano desde
o fim do século XIV. Depois de descer os jardins do Trocadero boquiaberto, recomendo uma passada matinal no terceiro andar da torre, enquanto ainda pode-se perder menos que uma hora na fila dos ingressos.

Foto tirada do segundo andar da Torre Eiffel

O passeio nos Bateaux Mouches é lindo, vale a pena para uma vista superficial dos principais pontos da velha Paris. Um crepe num dos vários quiosques em todo canto da cidade podem te poupar alguns euros, mas os mais empolgados podem se aventurar nas baguettes. A Île de la Cité é o berço da cidade, datando dos tempos gauleses, sendo imperdível a visita da Catedral de Notre-Dame de Paris (isso mesmo, a do corcunda!) e, para os que tiverem uma oportunidade, subir a torre da igreja garante uma vista bem diferente daquela do alto da Torre Eiffel do coração da capital dos franceses.

Notre-Dame de Paris, vista de costas

O museu do Louvre é fantástico, mas vou confessar: não tenho a mínima paciência para ficar horas à fio num museu. Ver a Mona Lisa, a Vênus de Milo e os quadros de Delacroix é essencial, mas não perca muito tempo lá, há uma infinidade de coisas para ver em Paris. Saindo do Louvre e passando pelo fantástico Jardin des Tuileries, chega-se rapidamente na Rue du Rivoli, um monumento ao comércio e à globalização. Se trata da rua comercial mais movimentada de Paris, com uma atmosfera fantástica de modernidade. Não muito longe, recomendo atravessar a Champs-Elysées até a Place de l’Étoile, para ver o belo Arco do Triunfo.

Paris visto de Montparnasse

Um pouco mais afastado do centro, mas também essencial numa vista à Paris, é a região de Montparnasse, onde está a mais bela vista de Paris, do alto da torre de Montparnasse, o Sacré-Coeur de Paris e o Moulin Rouge. ë uma bela caminhada e dou um conselho, deixe para comprar seus souvenirs aqui, é muito mais barato que os vendedores de rua dos arredores da Torre Eiffel e do Louvre.

É uma das minhas cidades preferidas e com certeza deixei de falar de muita coisa aqui. Minha última passagem por Paris foi de apenas 2 dias, mas podem ter certeza que uma estadia de uma semana na Cidade Luz não vai deixar nem um minuto de tédio. Paris é o centro da cultura da Europa, ao lado de Londres. sabendo onde ir e falando um mínimo de francês, você será muito bem acolhido. Uma outra dica é de ficarem em algum hotel próximo do metrô na visita, pois é o meio de transporte mais eficaz na cidade.

Então, boa estadia na capital francesa e au revoir e para os íntimos, salut!


Sinal do coisa ruim

Maio 8, 2008

Crédito Mobistar do capeta

Ontem o Cruzeiro perde do Boca no Mineirão, e agora isso. É Deus me castigando por blasfêmia!!

lol


Cruzeiro, Boca e a testa do bandeirinha

Maio 5, 2008

Aproveitando o embalo do Cruzeiro campeão mineiro, eu só queria expressar o que muitos além de mim pensam sobre essa história do relógio argentino na cabeça do primeiro auxiliar no 45° minuto do segundo tempo do confronto entre La Bestia e o time de Maradona; que estava presente nas arquibancadas da Bombonera.

Para quem não está à par da história; o árbitro da partida revelou que terminou a partida precocemente, aos 46 do segundo tempo devido à agressão de um dos bandeirinhas com um relógio (?) na testa e, segundo o regulamento da Copa Libertadores da América, a partida deve ser anulada e o time mandante de campo perde o jogo por 3 a 0.

Isso quer dizer que o Cruzeiro, que perdeu por 2 a 1 em Buenos Aires, agora teria ganhado a partida por 3 gols de diferença e o Boca deveria golear no próximo jogo no Mineirão para avançar na Libertadores. Tudo bem que eu sou cruzeirense (apaixonado), mas eu não concordo de jeito nenhum com essa sanção por duas boas razões:

1) O Cruzeiro, ganhando ou não a Copa Libertadores, teria sua trajetória em 2008 suja pelo incidente, porque todos sabem que o Boca é digno de final do campeonato e que pode ser o jogo mais díficil do ano para o Azul das Alterosas.

2) O parágrafo 1 do capítulo X do artigo 15 do regulamento da Copa Libertadores da América abre brechas para um possível terrorismo por parte de torcedores fanáticos. Pensem comigo, vou jogar meu óculos na fuça do juiz e o meu time vai ganhar a Libertadores, eu sou foda!

É foda, né…


CHORA GALINHADA!

Abril 28, 2008

Esse Cruzeiro só me dá alegrias! Belo presente para o centenário da Galinhada!!!

(Muito eufórico para escrever, vide Blog do Cruzeirense)


Quando eu passar no vestibular…

Abril 15, 2008

Para começar, este não é mais um daqueles posts copiados, eu vou realmente dizer meus planos para quando eu passar no vestibular (que poderiam bem ser análogos ao post que escreverei daqui a alguas dezenas de anos,”Quando eu me aposentar…”). Gostaria, mas não vou copiar descarademente a ótima descrição da comunidade no orkut:

Ah… Quando eu passar no vestibular…
Eu vou chegar em casa, quebrar a TV e gritar “NINGUÉM RECLAMA, QUEM MANDA AQUI SOU EU!”
Eu vou sair pelo Nordeste viajando por todas as praias e surfando até em poça de lama.
Eu vou pagar uma babá pra me dar comida na boca e trazer pinico preu num ter que sair da rede.
Eu vou aprender Alemão, Japonês e Inglês.
Eu vou tocar violão, baixo, bateria e gaita.
Eu vou dormir tarde e acordar tarde, dormir cedo e acordar tarde, não dormir e passar três dias acordado.
Eu vou beber dois barris de chopp, três garrafas de vinho, 1 grade de cerveja e 2 litros do uísque mais caro do super-mercado.
Eu vou fazer uma camisa com letras garrafais “EU SOU FODA” e usá-la quando for mandar cada um que disse que eu não passaria “tomar no cu”!
Eu vou chegar pro primeiro policial que encontrar na rua e mandá-lo pruma porra, e se ele achar ruim eu digo logo: “Você sabe com quem você tá falando? EU PASSEI NO VESTIBULAR!”

Eu estou aqui nesta folga de intercambista estudando francês e não tenho idéia da peleja que vou passar de julho até dezembro de 2008, ou mesmo janeiro de 2009. O vestibular é como um daqueles tigres feladaputas que atacam as zebras indefesas que pastavam tranquílas numa savana qualquer da África. Eles poderiam muito bem comer um macaco ou um animal mais safado que aquela zebrinha que nunca agrediu ninguém, mas não. Ele vai jantar a pacata listradinha de pura SACANAGEM!

Não conseguiria penar em outra maneira de filtrar as matrículas nas faculdades brasileiras, ainda mais as públicas, mas tudo que eu queria agora era ter um passe livre para me matricular na UFMG. Eu só queria ficar à toa e despreocupado para realizar meus planos resultantes da agonia que eu tenho só de pensar nos meus seis meses de sofrimento que virão, e pior - nos meus 1500 concorrentes nipo-brasileiros na FUVEST.

A primeira coisa que eu vou fazer é um churrasco com 20 quilos de picanha e miolo de alcatra nas brasas de todos os meus livros do Ensino Médio, isso mesmo, QUEIMEM problemas de gramática e exercícios de biologia!! No meu churrasco, só ex-vestibulandos bem sucedidos virão - xô gentalha! (já me vejo lendo isso e me vendo na porta do churrasco brigando com o segurança)

Depois irei me matricular no curso de italiano e alemão: se eu já li e respondi com sucesso perguntas sobre o Grande Sertão Veredas, quem seria Goethe perto de mim. O CARA QUE PASSOU NO VESTIBULAR tem que ser poliglota, no mínimo. Vou viajar de mochileiro para a Argentina com 200 reais e meu violão apenas pegando carona, só para provar que eu sou fodão e que tenho história para contar (tem que compensar os seis meses sem sair de casa estudando).

Vou morar dois meses no trecho New York - Paris fazendo absolutamente nada com o dinheiro que eu vou ganhar pela minha startup, resultado do meu tempo de coça-saco nas duas semanas seguintes ao meu prdodígio intelectual (valeu Google App Engine, em avanço). Vou ser mais foda que o Tony Hawk e o Kelly Slater, ao mesmo tempo, já que vou ter todo tempo do mundo para andar de skate e surfar no meu mês de rien à foutre em Floripa. Vou também escrever vários livros e terminar todas as músicas pela metade que vou lançar no fim da minha carreira, naquela coletânea sem vergonha que artista falido solta de B-sides da seu tempo de criatividade.

Meu grupo vai ser do cara*** e vamos, todos ex-vestibulandos bem sucedidos, tocar no Cavern Club, Brixton Academy e, por que não, Via Funchal e bater o recorde de visitas no MySpace, Trama Virtual e também de vendas do nosso álbum, que vem com revista em quadrinhos, vendido em todas as bancas de jornal do Brasil, Argentina, Uruguai, Chile e Acre.

Vou aprender a chupar cana, assobiar e tocar flauta e trombone ao mesmo tempo, quando eu passar no vestibular.

PS.: como não disse que seria auto-didata em Photoshop, olhem que foda essa coletânea de 100 tutoriais úteis


O que Dom João VI abandonou

Abril 8, 2008

Fiquei tanto tempo longe deste blogue por um bom motivo, dei uma passsada na terra de Camões para respirar ares mais latinos (leia-se quentes) e posso dizer me surpreendi com muitas coisas naquele bacalhau país.

Antes de paritr para minha empreitada nas terras lusas, falei com meu pai sobre minha viagem e ele soltou: “Meu filho, você está na Europa mas o Portugal é um assombro! 14% da população é analfabeta, eu vi no National Geographic (sic)… Eles mandam Kombi com escola móvel para dar aulas nas roças pros lados do Alentejo.” Isso já me estremeceu um pouco, mas não hesitei e comprei minha passagem de avião direto para o aeroporto da Portela, Lisboa. Minha viagem ainda aconteceria no ano das comemorações dos 200 anos da fuga de Dom João VI (muito bem retratado na BD do Spacca) ao Brasil, aquele balofo com cara de bebezão que enganou Napoleão graciosamente.

Chegando lá já verifiquei que os 27 graus anúnciados eram bem mais quentes que meus 5 na Bélgica e já me senti num forno. Encontrei facilmente minha prima casada com um português (que por puro acaso se chama Manuel) e garanti minha estadia na cidade de Sintra

Vista da vila de Sintra

A vila de Sintra é um sonho do louco Dom Fernando II, que mandou construir o Palácio da Pena, o primeiro castelo romântico da Europa (30 anos antes de Neuschwanstein!) e arborizar a serra de Sintra com árvores de todo o mundo. Recomendo a passagem no Palácio da Pena, no Castelo dos Mouros e uma passada para um travesseiro da Periquita (sic), no café homônimo da cidade. O acesso à vila é feito facilmente de Lisboa através do trem (comboio), que sai de vinte em vinte minutos (vide site dos Comboios Portugueses) ou dos ônibus saindo de Cascais.

Palácio da Pena

No meu segundo e terceiro dias de viagem, eu visitei a capital, sem deixar de comer os Pastéis de Belém, visitar o Mosteiro dos Jerónimos, o Padrão dos Descobrimentos, a Cidade Alta e o incrível Oceanário de Lisboa.

Os Pastéis de Belém são uma especialidade local, um pastelzinho de nata feito de acordo com a antiga receita da Ordem dos Jerónimos. A pastelaria, que se encontra no bairro de Belém (duh!) , está às sombras do Mosteiros dos Jerónimos. O Mosteiro é um prédio no estilo manuelino que data de 1502 e MERECE ABSOLUTAMENTE UMA VISITA!

Mosteiro dos Jerónimos

Bem na frente do Mosteiro, encontra-se o Padrão dos Descobrimentos, monumento erguido para comemorar os achamentos de Portugal, e que tem aos seus pés um mapa em mármore onde figura a data 1500 acima de Porto Seguro. Chega-se à bela freguesia de Belém pelas linhas 15 e 18 do bondinho ou por uma boa caminhada, vindo de Lisboa mesmo e pelos comboios, vindo de Cascais e Sintra. Além dos monumentos, a visita vale a pena para relaxar sob a sombra das árvores dos belos jardins entre o Mosteiro e o Padrão.

Padrão dos Descobrimentos

O Oceanário é uma atração à parte, localizado nos arredores dos prédios que abrigaram a Expo 98′ e próximo ao shopping Vasco da Gama, que não vou falar muito para não perder a graça. Chega-se facilmente lá em metro, trem ou ônibus, descendo nas proximidades da Gare do Oriente.

O Bairro Alto é a Lisboa histórica, que me lembrou bastante o Rio de Janeiro e Salvador (ou seria o contrário?). O interessante é pegar o bondinho de turismo que faz a volta da região. Me senti fascinado pelo ar contrastante que a modernidade da cidade traz junto ao seu lado histórico, sendo possível se ver tomando uma Sagres num café modernoso da cidade ao lado de Vasco da Gama, Pedro Álvares Cabral e Fernando Pessoa.

Por falar em Fernando Pessoa, outro lugar que vale a visita é a Boca do Inferno, localizada em Cascais. É uma rocha esculpida durante bilhões de ano pelo Oceano Atlântico e que foi palco de uma simulação de suicídio de Aleister Crowley na ocasião de sua visita ao célebre poeta português. Tirei meus últimos dois dias de viagem para conhecer o litoral português e já comecei bem na escolha das atrações

Placa explicativa na Boca do InfernoBoca do Inferno

Estoril é considerada a Florida da Europa, denominação que pude confirmar na minha visita. Repleta de jovens e de moçoilas fazendo topless, suas praias são enfestadas de hype e beach culture como se vê no Rio de Janeiro ou em Newport Beach.

Não longe de lá, e igualmente interessante, encontra-se o ponto mais ocidental do continente europeu, que valeu a minha foto artística lol.

Gustavo Brunoro no ponto mais ocidental do continente europeu

Posso garantir que foi com pesar no coração que eu entrei no avião e voltei para o vento e a chuva belga. Então, se aparecer uma oportunidade para vistar esse belo país (que um dia ainda pretendo voltar e fazer turismo por, no mínimo, duas semanas), não hesite como eu, vá para Portugal!

P.S.: desculpem pelo post pesadíssimo e carregado de fotos grandes, mas eu tinha que ilustrar minha viagem!


Tecktonik: o ritmo das pistas européias

Março 23, 2008

Inspirado pela blogagem inédita do Interney e pelo meu saco cheio de memes que eu escrevo sempre que lembro de atualizar esse blog, vou escrever sobre algo que vejo no cotidiano belga. Estou espantado porque o Massa quebrou o carro no GP da Malásia e porque a neve não dá trégua nesse reino parlamentarista, mas fiquei mais assustado quando vi aqui uma referência sobre essa tal dança muito muito esquisita na blogosfera brasileira.

A Tecktonik nasceu numa boate de Paris, a Metropolis, e mesmo sendo uma marca registrada desde 2002, o termo continua sendo utilizado como sinônimo da dança, que é dita tecnicamente como Electro. Hoje em dia, a dança se tornou um fenômeno na França, Bélgica e Holanda e começa a se tornar um estilo de vida, seus praticantes formam uma tribo urbana. Os adeptos do estilo se vestem de maneira peculiar, com calças slim e cortes de cabelo realmente alternativos.

Em termos de dança, se trata de uma mistura do jumpstyle e do hardstyle, dois estilos que estão a mais tempo na mídia francesa, belga e holandesa. Os movimentos do são praticamente todos de braço e a marcação do ritmo se faz com as pernas, mas é uma dança totalmente livre, dança-se como quiser dentro do estilinho ai, e é isso que atrai tanta gente para o movimento!

Pode-se encontrar em capitais européias a qualquer hora do dia grupos de jovens se reunindo para dançar, e a festa não tem lugar fixo para acontecer: já vi gente até dentro do metrô de Paris fazendo rodinha de Tecktonik usando o celular como pick-up!

Pessoalmente, eu acho a dança legalzinha, mas a música é horrível e as roupas são muito bregas, mas essa é a mais nova moda entre os jovens europeus. O estilo de dança é livre, e a moda está pegando por toda parte, até a Janet Jackson encarou!


Vivendo o personagem de cinema francês e o caderninho verde

Março 20, 2008

… eu não sirvo para ter um blog!

(quem não quiser ler meu desabafo existêncial, pule os três próximos parágrafos)

Já tinha isso em mente no dia 21 de janeiro de 2008, havia de ter uma pedra no meio do caminho. No meio do caminho realmente tinha uma pedra. Além de não ter imaginação o suficiente para escrever, descobri que eu era mais chato do que eu pensava. Vejamos o que poderia acontecer se eu me engajasse a descrever minha exótica semana:

Ufa! Mas que semana longa, amanhã é sexta véspera de feriado, logo não conta como dia útil. Minha vida intelectual está cada dia mais ativa, ontem mesmo descobri por acidente que a Yael Naim é mais éxotica do que eu imaginava. Baixei o último álbum dessa cópia da Lilly Allen e a faixa um, Paris, me fez até crer que ela cantava também em francês. Começo a escutar a bela canção de violão e voz e, mesmo com meus pífios conhecimentos da língua de Victor Hugo, soube que não se tratava da língua francesa. Não se parecia nem um pouco também com o inglês, logo me lanço aos meus instintos. Minha vida de nerd à toa me ensinou muita coisas, especialmente sobre línguas, e delirei que se tratava de hebreu. Acessei a biografia da cantora no Wikipédia e constatei que era sim a língua do Estado de Israel!

(como minha vida é interessante!)

Me lembrei agora que sou oficialmente um analfabeto em francês. Deveria até escrever um artigo científico sobre isso, porque cada dia que passa eu tenho a impressão que eu sei falar menos nesses fonemas estranhos com biquinho e u que soa quase i. Sinceramente, isso vai ser um dos meus próximos temas para o caderninho verde…

(além de interessante, é uma aula constante de como perder tempo - vide nome do blog)

O caderninho verde é mais do que uma técnica de filosofia barata, é um estado de espírito, um estilo de vida. Sim, lifestyle, ter um caderno para escrever todas as besteiras e idéias malucas na hora que você bem entender e como você bem entender é uma arte. As regras para esta técnica de brainstorm estúpida são:

1) não se deve arrancar as páginas do seu caderno verde - recomenda-se um brochurão (daqueles Tilibra mesmo que você tinha na terceira série do ensino fundamental para a aula de Estudos Sociais)

2) escreva todos os seus pensamentos na ordem que eles aparecerem

3) evite a pontuação

4) para escrever em estados não sóbrios, use a primeira página ‘japonesa’, ou seja, abrindo pela contracapa (isso vai te render boas gargalhadas na leitura dessas páginas no dia seguinte)

5) salte um espaço representativo de linhas no fim de um raciocínio, afinal, o mínimo de organização não mata ninguém

Como todos sabemos, a liberdade é um requisito da creatividade, por isso o caderninho verde é em si uma prova de que seu autor preza a liberdade de pensamento. No meu caso, meu melhor amigo em celulose virou minha agenda, mas meus lapsos de esquecimento não são temas para essa página.


Este NÃO é um blog sobre música - nem rock

Março 11, 2008

Já que só me vinha à cabeça escrever sobre música, resolvi diversificar o tema dos posts. Eu quero escrever meus impulsos aqui e, se minha vida é uma rotina com trilha sonora variada, eu acabo só escrevendo sobre o que eu tenho escutado ultimamente. Sábado fui num showzinho na região e conheci grupos fantásticos como MiaowMiaow (não se deixem levar pelo nome) que realmente me reanimou a ter uma banda. Minha última banda foi um grupo de metal que sempre deu certo apesar dos problemas com membros ausentes nos ensaios, e que terminou por forças maiores - minha vinda para a Bélgica. Tocar com belgas é interessante, acho que eles têm uma concepção diferente de música : um grupo belga já faz suas próprias músicas desde o primeiro ensaio, ao contrário dos grupos brasileiros que sempre começam por alguns covers. Os pequenos festivais com grupos locais aqui na Bélgica podem trazer 5 ou 6 grupos que não tocam nenhum cover, o que foi um choque para alguém que frequentava o Matriz, em BH.

Não é só uma concepção de música, isso me remete a algo mais profundo sobre o povo desse país, o senso de faça-você-mesmo. Não é difícil encontrar belgas que dedicam os fins de semana à bricolagem e à jardinagem, tudo em prol do do-it-yourself. Outro diferencial da sociedade belga - e européia no geral - é a valorização que dada ao trabalho. Conheci um tipo que mora num castelo e vem de família abonada e mesmo assim trabalha como carpinteiro para ganhar um vigésimo do lucro mensal da família nos seus dois meses de férias. Isso se reflete mesmo nas classes superiores, onde os adolescentes começam a trabalhar cedo no seu tempo livre.

Acho que já bastou para mostrar o quanto temos de distância, não só física, dos países ditos desenvolvidos. Este não é um post sobre rock.