Fiquei tanto tempo longe deste blogue por um bom motivo, dei uma passsada na terra de Camões para respirar ares mais latinos (leia-se quentes) e posso dizer me surpreendi com muitas coisas naquele bacalhau país.
Antes de paritr para minha empreitada nas terras lusas, falei com meu pai sobre minha viagem e ele soltou: “Meu filho, você está na Europa mas o Portugal é um assombro! 14% da população é analfabeta, eu vi no National Geographic (sic)… Eles mandam Kombi com escola móvel para dar aulas nas roças pros lados do Alentejo.” Isso já me estremeceu um pouco, mas não hesitei e comprei minha passagem de avião direto para o aeroporto da Portela, Lisboa. Minha viagem ainda aconteceria no ano das comemorações dos 200 anos da fuga de Dom João VI (muito bem retratado na BD do Spacca) ao Brasil, aquele balofo com cara de bebezão que enganou Napoleão graciosamente.
Chegando lá já verifiquei que os 27 graus anúnciados eram bem mais quentes que meus 5 na Bélgica e já me senti num forno. Encontrei facilmente minha prima casada com um português (que por puro acaso se chama Manuel) e garanti minha estadia na cidade de Sintra

A vila de Sintra é um sonho do louco Dom Fernando II, que mandou construir o Palácio da Pena, o primeiro castelo romântico da Europa (30 anos antes de Neuschwanstein!) e arborizar a serra de Sintra com árvores de todo o mundo. Recomendo a passagem no Palácio da Pena, no Castelo dos Mouros e uma passada para um travesseiro da Periquita (sic), no café homônimo da cidade. O acesso à vila é feito facilmente de Lisboa através do trem (comboio), que sai de vinte em vinte minutos (vide site dos Comboios Portugueses) ou dos ônibus saindo de Cascais.

No meu segundo e terceiro dias de viagem, eu visitei a capital, sem deixar de comer os Pastéis de Belém, visitar o Mosteiro dos Jerónimos, o Padrão dos Descobrimentos, a Cidade Alta e o incrível Oceanário de Lisboa.
Os Pastéis de Belém são uma especialidade local, um pastelzinho de nata feito de acordo com a antiga receita da Ordem dos Jerónimos. A pastelaria, que se encontra no bairro de Belém (duh!) , está às sombras do Mosteiros dos Jerónimos. O Mosteiro é um prédio no estilo manuelino que data de 1502 e MERECE ABSOLUTAMENTE UMA VISITA!

Bem na frente do Mosteiro, encontra-se o Padrão dos Descobrimentos, monumento erguido para comemorar os achamentos de Portugal, e que tem aos seus pés um mapa em mármore onde figura a data 1500 acima de Porto Seguro. Chega-se à bela freguesia de Belém pelas linhas 15 e 18 do bondinho ou por uma boa caminhada, vindo de Lisboa mesmo e pelos comboios, vindo de Cascais e Sintra. Além dos monumentos, a visita vale a pena para relaxar sob a sombra das árvores dos belos jardins entre o Mosteiro e o Padrão.

O Oceanário é uma atração à parte, localizado nos arredores dos prédios que abrigaram a Expo 98′ e próximo ao shopping Vasco da Gama, que não vou falar muito para não perder a graça. Chega-se facilmente lá em metro, trem ou ônibus, descendo nas proximidades da Gare do Oriente.
O Bairro Alto é a Lisboa histórica, que me lembrou bastante o Rio de Janeiro e Salvador (ou seria o contrário?). O interessante é pegar o bondinho de turismo que faz a volta da região. Me senti fascinado pelo ar contrastante que a modernidade da cidade traz junto ao seu lado histórico, sendo possível se ver tomando uma Sagres num café modernoso da cidade ao lado de Vasco da Gama, Pedro Álvares Cabral e Fernando Pessoa.
Por falar em Fernando Pessoa, outro lugar que vale a visita é a Boca do Inferno, localizada em Cascais. É uma rocha esculpida durante bilhões de ano pelo Oceano Atlântico e que foi palco de uma simulação de suicídio de Aleister Crowley na ocasião de sua visita ao célebre poeta português. Tirei meus últimos dois dias de viagem para conhecer o litoral português e já comecei bem na escolha das atrações


Estoril é considerada a Florida da Europa, denominação que pude confirmar na minha visita. Repleta de jovens e de moçoilas fazendo topless, suas praias são enfestadas de hype e beach culture como se vê no Rio de Janeiro ou em Newport Beach.
Não longe de lá, e igualmente interessante, encontra-se o ponto mais ocidental do continente europeu, que valeu a minha foto artística lol.

Posso garantir que foi com pesar no coração que eu entrei no avião e voltei para o vento e a chuva belga. Então, se aparecer uma oportunidade para vistar esse belo país (que um dia ainda pretendo voltar e fazer turismo por, no mínimo, duas semanas), não hesite como eu, vá para Portugal!
P.S.: desculpem pelo post pesadíssimo e carregado de fotos grandes, mas eu tinha que ilustrar minha viagem!